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Arthur Maia: “venho para Democratas como um soldado para participar da caminhada desse grande partido”

Momentos antes de celebrar a filiação ao Democratas na noite desta quinta-feira (5), no auditório do Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, o deputado federal Arthur Maia explicou o motivo de sua saída do PPS para embarcar no partido comandado pelo prefeito ACM Neto. Maia admite que se sente muito a vontade na nova casa partidária e disse que se coloca como um soldado neste novo espaço político.

“Eu me sinto muito a vontade no Democratas. A reformulação partidária implica em uma diminuição do número de partidos, o que é salutar. A cláusula de barreira está aí colocada e teremos uma eleição com 10 ou 12 partidos. No campo político que atuo aqui na Bahia, eu teria poucas opções e entre essas opções, a convite do prefeito ACM Neto, pelas relações pessoais que eu tenho em Brasília e pela identidade ideológica,  eu decidi me filiar ao Democratas e venho como soldado para participar da caminhada desse grande partido”, disse Maia.

Questionado sobre a hipótese do prefeito ACM Neto decidir não sair candidato ao governo do Estado, e se esse fato afetaria os deputados que integram o grupo político de Neto, Maia descarta essa previsão.

“Eu não trabalho com essa hipótese. As notícias que chegam da reunião com o PTB e o PR são notícias alvissareiras e eu tenho absoluta convicção que o prefeito ACM Neto, que já deu uma grande contribuição à Salvador, ele não se furtará em dar essa contribuição à Bahia. Nós precisamos apresentar a Bahia uma alternativa. É lastimável que se encontra a situação em nosso Estado em todas as áreas, na segurança pública, na saúde e nós precisamos resgatar essa situação. Eu não tenho dúvida que Neto é o nome que nós temos e irá enfrentar e vencer a eleição e trazer para a Bahia a mesma transformação que fez em Salvador. Como eu conheço Neto e sei que as conversas dele tem início, meio e fim, eu não acredito, de maneira nenhuma, que nesse momento haverá uma posição diferente daquela que a Bahia inteira espera. A Bahia inteira espera que ele seja nosso candidato e eu, pessoalmente, acredito piamente que ele será o nosso candidato”, acredita Maia.

Ao comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou o habeas corpus ao ex-presidente Lula, Arthur Maia, ao declarar sua posição não mais como político, mas como advogado, é contra a prisão em segunda instância e completou ao dizer que a rejeição ao recurso mostra que a justiça é para todos, independente de condição ou posição social.

“Eu não desejo mal a ninguém. Eu pessoalmente sempre achei que a prisão em segunda instância, do ponto de vista constitucional, eu entendo que não pode acontecer. Eu alinho o meu pensamento com o da OAB. Nós temos na Constituição três cláusulas pétrias: a primeira é a que impede a abolição do voto secreto e universal; a segunda é a que impede que haja qualquer projeto de lei que vise abolir a nossa forma federativa de Estado e a terceira que são os direitos e as garantias individuais. Esta lá no Artigo Quinto que entre os direitos e garantias individuais, a pessoa só é condenada depois que a ação contra o réu transita em julgado. Eu não entendo que possa existir uma penalidade maior para uma pessoa do que ser preso. Ai há quem diga: mas nos Estados Unidos, quando é preso em segunda instância cumpre pena, mas certamente na Constituição Americana não existe esse dispositivo como cláusula pétria. Eu pessoalmente, mas até como advogado do que deputado, entendo que não pode haver prisão em segunda instância, entretanto, seria pior do que qualquer outra coisa o Supremo, em função de ter agora uma pessoa importante que está na iminência de ser preso e está condenado em segunda instância mudar essa percepção. De qualquer maneira, acho que é estamos vivendo o sinal dos tempos no Brasil. Estamos vivendo uma realidade em que, na verdade, a Lei passou a valer para todos e isso vale para o ex-presidente da República e vale para o pobre. Antigamente, tínhamos um país em que só os pobres eram presos. Agora não. É uma mudança que valoriza as nossas instituições e uniformiza a ação da Lei”, argumenta.

Em noite de filiação, momento em que dominou o questionamento se a prisão de Lula influencia as eleições na Bahia, Maia disse que o pleito eleitoral no Estado é intensamente ligado à disputa presidencial e relembrou um histórico político que atesta sua tese.

“Eu não tenho dúvida que a eleição na Bahia sempre é profundamente influenciada pelas eleições presidenciais. Historicamente, sempre foi assim. Em 85, Sarney do PMDB e Tancredo ganhou a eleição no Congresso Nacional; em 86, aqui na Bahia ganhou Waldir Pires; em 89, o Collor; em 90, ACM ganhou na Bahia; aí você tem em 94, ACM apóia Fernando Henrique e elege Paulo Souto; em 98, ACM apóia Fernando Henrique e elege César Borges; em 2002 Lula ganhou, mas Paulo Souto ganhou aqui na Bahia”, relembra o deputado ao admitir que já apoiou Jaques Wagner durante candidatura ao governo do Estado. “Em 2006, apoiei Wagner e ninguém esperava que eu o apoiasse, e Wagner ganhou por que era o candidato de Lula em sua reeleição. Em 2010, de novo, Wagner na primeira eleição de Dilma; e o governador Rui Costa na reeleição de Dilma”, admite.

“A eleição presidencial está diretamente vinculada à eleição na Bahia como via de regra. Eu, na minha opinião, creio que nós temos uma indefinição total na eleição presidencial. Certamente, surgirá um candidato muito forte nesse campo de centro que poderá ser o Henrique Meirelles ou o Álvaro Dias, Rodrigo Maia, como poderá ser qualquer outro , como Geraldo Alckmin. Certamente, surgirá algum candidato desse campo de centro que vai atingir 15 à 20%, porque definitivamente esse é o meu sentimento. O Brasil não deseja uma eleição polarizada entre o esquerdismo do PT que destruiu o país e a economia do país e essa posição arcaica, reacionária, conservadora e anti-democrática do Bolsonaro. Certamente, haveremos de construir uma outra via, uma via que seja mais de acordo com esse momento que o Brasil vive, que é um momento em que o Brasil necessita de diálogo e de entendimento para que possamos avançar”, completa.

Maia ficou balançado ao declarar para o TV Servidor se houve arrependimento em ter apoiado Jaques Wagner naquela ocasião em 2006, mas o deputado negou tal situação de remorso e disse que a relação com Wagner naquele momento era estritamente política. Para não ficar em posição desconcertante ou de desconforto, o político disse ainda que diante do fato recentemente ocorrido, o petista terá que se explicar na esfera judicial.

“Eu não sou de me arrepender. Naquele momento, lá em 2006, era um caminho que nós tinhamos. Eu estava na oposição como deputado estadual há 12 anos e era natural que apoiasse Wagner. O trabalho de Wagner não satisfez as minhas expectativas e, recentemente, o que aconteceu com ele pior ainda. É realmente uma desilusão que o Wagner que tinha de todos, ainda que em campos opostos, uma admiração, esteja agora exposto a esta situação vergonhosa com a ação da Polícia Federal. Isso aí não é no campo da política, é no campo policial e ele terá que se entender com a justiça, mas nós vamos tratar da política e do futuro da Bahia e o futuro da Bahia é ACM Neto governador e disso eu tenho certeza”, arrematou o agora integrante do Democratas.

Mathias Jaimes e Rafael Santana

 


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About Rafael Santana

Rafael Bonfim Santana é jornalista com experiência em diversos sites e jornais da Bahia com foco em pautas políticas regionais

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